Vela de Cera Vegetal Tipo Coco T-02

Decidi comprar e testar a cera tipo coco T-02 para fazer velas depois da experiência frustrada com a cera de palma e posso dizer que gostei muito do resultado dos testes.

Foram necessários poucos testes de misturas para chegar numa que fosse ideal e ainda consegui corrigir com facilidade e ótimo resultado as imperfeições de uma das velas feitas.

Cera Tipo Coco T-02

Sem dúvida pretendo continuar usando a cera tipo coco T-02 com a cera de palma para produzir minhas velas e no momento não sinto mais necessidade de testar outras ceras.

A Compra

Comprei essa cera na loja Império do Banho e não fiquei satisfeita com a loja. O atendimento foi bom, mas o envio demorou demais.

Apesar dos produtos terem um preço bom, o envio foi feito 5 dias úteis depois da compra e respectivo pagamento, que ocorreu quase imediatamente porque foi feito com cartão. Comprei e paguei numa quinta-feira e o envio só foi feito na quarta-feira da semana seguinte às 18:52 hs. 

Vale dizer que na loja há um aviso que o prazo para envio é de 5 dias úteis, mas é raríssimo uma loja usar um prazo tão longo para simplesmente despachar um pedido e essa usou. Particularmente me desagradou bastante e não pretendo comprar novamente, ainda que tenha aviso na loja e ela tenha mandado dentro do prazo dela.

Eu prefiro pagar um pouco a mais no produto de outra loja, que tem um envio bem mais rápido, um atendimento ótimo e o mesmo valor de frete. Na minha compra na Sabão e Glicerina eu recebi o produto na minha casa em menos de 5 dias úteis, também não tenho o que reclamar da RPK Parafinas, já no Império do Banho levou 5 dias úteis só pra os produtos saírem da loja.

A Cera Tipo Coco T-02

A cera tipo coco T-02 é bem macia. Só de pegá-la dá pra sentir que é mais maleável que a cera de palma, apesar de estar em bloco. É possível afundar o dedo nela com facilidade só de apertar. Pelo aspecto da cera, mesmo antes de derreter, tive a impressão que ela ia me atender bem.

Cera Tipo Coco T-02

A composição é 100% de origem vegetal, sendo uma mistura de ceras de coco, arroz e palma. Apesar de ter pesquisado, não achei a quantidade exata de cada cera na composição, mas o importante é que, sendo uma cera 100% vegetal, ela não emite substâncias tóxicas e nocivas à saúde durante a queima.

Cera Tipo Coco T-02

Essa cera tem ponto de fusão entre 44º e 52ºC, respectivamente mínimo e máximo e não é recomendado aquecê-la a  temperaturas acima de 70°C, pois poderá amarelar.

Também encontrei a informação de que a temperatura ideal para despejar a cera é entre 60° e 63°C, mas como não tenho termômetro não tenho como aferir isso.

Sobre os Testes

Fiz os testes usando apenas a cera tipo coco T-02 e a cera de palma, que tenho bastante ainda dos testes anteriores. Vou explicar como fiz cada teste, quais materiais e quantidades usei e qual foi o resultado de cada um.

Não usei termômetro, mas caso você tenha vale a pena usar para ter informações mais precisas. Usei balança e fez diferença para medir as quantidades, mas é possível fazer os testes sem.

Todos os testes foram feitos com a cera derretida em banho-maria e em fogo baixo o tempo todo. A cera derreteu completamente sem que a água da panela começasse a ferver. O derretimento não é tão demorado, então tenha paciência e prefira manter o fogo baixo se não tem termômetro para monitorar a temperatura da cera.

Cera Tipo Coco T-02

É importante lembrar que essa cera, assim como qualquer outra para fazer velas, é inflamável, por isso deve-se tomar muito cuidado! Jamais saia de perto quando estiver derretendo, em hipótese alguma!!! Também acho que o melhor é derreter em banho-maria, por ser mais seguro, e caso escorra cera na leiteira ou panela limpe imediatamente. Depois que derreter desligue o fogo.

Usar óculos de proteção e máscara não é necessário, mas ajuda muito, especialmente quando os testes são feitos com essência. Pra mim ficou bem mais confortável.

Usei pavio em todos os testes, mesmo sabendo que eram apenas testes e eu ia derreter a cera novamente depois para fazer a vela com essência e/ou cor. Colocar o pavio faz diferença porque pode ser que fique uma depressão ao redor dele, então precisava saber se isso aconteceria com essa cera.

Para colocar os pavios eu simplesmente mergulhei o ilhós na cera quando já estava toda ou quase toda derretida e grudei no fundo do pote, bem centralizado. Depois coloquei o pavio entre um hashi amarrado com elástico para que permanecesse reto e centralizado enquanto a cera enrijecia.

Para fazer esses testes usei:

– Cera tipo coco T-02;

– Cera de palma (100% pura);

– Potes de vidro (usei de patê);

– Pavio médio de 18 cm;

– Panela e leiteira para o banho-maria;

– Colher de madeira (pode ser espátula de silicone);

– Hashi;

– Toalha ou papelão para forrar o local onde despejará a cera e evitar sujar a superfície;

– Caixa de papelão ou plástico;

– Pregador.

Para fazer testes sugiro que não mova os recipientes de lugar depois de colocar a cera. Se precisar deixar a vela secando longe de onde vai derreter a cera, vá com a cera até o local, mas não despeje no pote e depois troque de lugar, porque pode afetar o resultado significativamente. Qualquer mudança de temperatura parece ter efeito.

Também recomendo despejar a cera e deixar os recipientes já cheios secando em local sem vento ou correntes de ar para evitar mudanças de temperatura.

O ideal é esperar pelo menos 24 horas para analisar os resultados, porque as imperfeições, especialmente as rachaduras, se intensificam ao longo do tempo, enquanto a cera vai ficando mais rígida.

Em todos os testes medi a quantidade de cera usando água como referência. Para calcular a quantidade exata eu coloquei o pote na balança e apertei T (Tara) para subtrair o peso dele. Depois enchi o pote com água até a altura que eu queria que a vela ficasse e pesei em gramas. O total de água foi de 86 gramas, então multipliquei esse valor por 0,9 para ter a quantidade de cera, que foi de 77,4 gramas. Essa medição funciona perfeitamente.

Para a quantidade de essência eu calculei 10% da quantidade total de cera. Depois vou fazer um post explicando todos os cálculos em detalhes.

Em todos os testes coloquei a vela para secar dentro de uma caixa fechada, dessa forma a temperatura se manteria mais estável e a cera solidificaria mais devagar. Essa é uma técnica que encontrei em vídeos para evitar furos na cera e deixá-la com aspecto mais uniforme.

Teste 1

Altas Expectativas Para Essa Cera

O primeiro teste foi feito apenas com a cera tipo coco T-02 sem adição de qualquer outro elemento, para que eu pudesse ver como ela se comporta sendo usada pura.

Coloquei a cera para derreter em banho-maria e sempre em fogo baixo. Depois que a cera estava totalmente derretida, retirei imediatamente do fogo. Como não usei termômetro todo cuidado é pouco. Lembrando que a cera é inflamável.

Depois de derretida, marquei 5 minutos no cronômetro para deixá-la esfriar, mas depois de 3 minutos a cera já estava começando a solidificar nas bordas, então coloquei no pote. O motivo de esperar esfriar é que isso faz grande diferença para evitar que a cera fique com furos ou depressões depois que solidifica completamente. Já testei com a cera de palma e realmente a diferença é incrível.

Logo depois de despejar a cera, coloquei o pote dentro de uma caixa de papelão fechada para que a cera solidificasse mais devagar, melhorando o aspecto geral, especialmente o topo.

Resultado: A cera desgrudou completamente do vidro. Não teve rachaduras na lateral, nem irregularidades muito evidentes, apenas algumas estrias. O topo ficou com algumas bolhas, mas acredito que foi de ter colocado a cera muito fria e ter jogado alguns pedaços mais sólidos no final. Não houve depressões ou furos no topo e a única irregularidade foram as bolhas. Vela aparentemente macia e de cor branca amarelada.

No geral foi um resultado razoável, que provavelmente pode ser aperfeiçoado no sentido de deixar o topo mais regular e liso, porém dificilmente dará pra corrigir o fato da cera não aderir ao vidro, o que eu preferia que ocorresse. 

Teste 2

Tem Tudo pra Dar Certo

Para esse teste eu usei metade de cera T-02 e metade de cera de palma. Usei um pote com a mesma medida do primeiro, então, como o total de cera era de 77,4 g, adicionei 38,7 g de cada cera.

Coloquei as duas ceras para derreter juntas em banho-maria e sempre em fogo baixo. Depois que estavam totalmente derretidas, retirei imediatamente do fogo.

Nesse caso eu não esperei para despejar. Assim que tirei do fogo despejei no pote. Depois coloquei o pote dentro de uma caixa de papelão fechada para que ela solidificasse mais devagar.

Resultado: A cera aderiu completamente ao vidro e a vela ficou linda nesse aspecto. As laterais ficaram perfeitas e sem qualquer irregularidade. Não ocorreram rachaduras nem estrias. O topo ficou liso na maior parte, sem furos, porém afundou nitidamente numa lateral. Acredito que deixar esfriar um pouco mais seria o suficiente para um topo mais regular. Cor branca, levemente amarelada.

No geral ficou uma boa vela, exceto pelo topo, que pode melhorar bastante. Sinceramente o resultado me surpreendeu. Achei que com metade de cera de palma ficaria rachada, mas o resultado foi muito bom. Acho que no próximo teste será melhor ainda.

Teste 3

Seja Como For Eu Já Adoro essa Mistura de Ceras

Para esse teste eu usei 3/4 de cera T-02 e 1/4 de cera de palma. Usei um pote com a mesma medida dos primeiros, então, como o total de cera era de 77,4 g, foram 58 g de cera T-02 e 19 g de palma.

Coloquei as duas ceras para derreter juntas em banho-maria e sempre em fogo baixo. Depois que estavam totalmente derretidas, retirei imediatamente do fogo.

Também não esperei para despejar nesse caso. Assim que tirei do fogo despejei no pote. Queria ver se com maior teor de cera T-02 o resultado do topo era diferente. Depois coloquei o pote dentro de uma caixa de papelão fechada para que ela solidificasse mais devagar.

Resultado: A cera aderiu completamente ao vidro e essa vela também ficou perfeita nesse aspecto. Laterais perfeitas e sem qualquer irregularidade. Não ocorreram rachaduras ou estrias. O topo ficou liso na maior parte, sem furos, porém afundou levemente numa lateral. Nada muito evidente, mas poderia ter ficado melhor. Cor branca, levemente amarelada.

Acredito que deixar esfriar um pouco seria o suficiente para um topo mais regular. Claramente a mistura com cera de palma demora mais para esfriar e tende a ter irregularidades no topo se despejada quente demais. Como nesse caso tem mais T-02 do que palma, talvez deixar uns poucos minutos como no primeiro teste fosse o ideal.

No geral a vela ficou quase perfeita, ao meu ver, exceto pelo pequeno afundamento do topo. Definitivamente usarei essa medida de 1/4 de cera T-02 e 3/4 de cera de palma. Não farei mais testes com quantidades de cera e misturas. Pra mim essa mistura já se mostrou ideal e obtive o resultado que eu gostaria em quase 100%. Nitidamente o que falta corrigir não está relacionado à quantidade de ceras, mas sim ao processo. Agora vou apenas testar temperatura para despejar e adição de essências e corantes.

Teste 4

Cheguei nos Testes Mais Divertidos

Para esse teste eu usei 3/4 de cera T-02, 1/4 de cera de palma e 10% de essência. Usei um pote com a mesma medida dos demais, então, como o total de cera era de 77,4 g, foram 58 g de cera T-02, 19 g de palma e aproximadamente 7 g de essência.

Coloquei as duas ceras para derreter juntas em banho-maria e sempre em fogo baixo. Depois que estavam totalmente derretidas, retirei do fogo.

Marquei no cronômetro 3 minutos para esfriar, mas quando despejei a essência ela imediatamente começou a solidificar no meio da cera. Misturei bem, tentando derreter a essência e consegui, mas ao colocar no pote a cera começou a solidificar muito rápido.

Resultado: A cera aderiu completamente ao vidro, mas as laterais ficaram bastante irregulares, certamente por a cera estar fria demais quando foi colocada. Logo que despejei vi que formaram muitas bolhas na superfície e mexi um pouco para desfazê-las, o que funcionou para tirar as bolhas, mas deixou o topo irregular de uma forma geral. Não houve furos ou depressões no topo, mas ele não ficou liso. Cor branca, levemente amarelada.

Acredito que o problema tenha sido a cera muito fria. Eu queria evitar o topo com bolhas, mas a vela acabou ficando toda mais irregular. Numa próxima vez vou usar a mesma mistura de ceras, tirar do fogo, misturar imediatamente a essência e então despejar. Vamos ver!

Não vou fazer esse último teste nesse post porque já estou bem satisfeita com o resultado dessas ceras usadas juntas e especialmente com a descoberta e testes com a cera tipo coco T-02. Vou agora acertar o ponto de despejar apenas e depois faço um post com o processo inteiro em detalhes e mostro qual o melhor ponto de despejar que eu encontrei para a vela ficar mais uniforme.

Teste 5

Corrigindo Imperfeições

Assim como fiz com a cera de palma, decidi fazer um teste para verificar se há como melhorar o aspecto da vela com essa mistura de ceras sem ter que derreter tudo e começar de novo.

Para fazer esse teste eu usei a água da panela do banho-maria, completei um pouco para deixar na altura que a cera estava no pote e o coloquei na panela. Quando a água estava quase começando a ferver abaixei o fogo para o mínimo e esperei derreter a camada mais superficial e próxima ao vidro até o aspecto ficar mais uniforme. Quando as imperfeições estavam todas derretidas, tirei o pote da panela, coloquei de volta na caixa e esperei.

Resultado: A cera aderiu completamente ao vidro depois de esfriar novamente. As laterais ficaram perfeitas, como se nada tivesse acontecido, nesse aspecto o resultado foi sensacional. O topo continuou do mesmo jeito, mas nesse caso foi porque eu não deixei derreter mesmo. Como eu tinha colocado flores secas de gerânio para decorar, não quis deixar derreter a cera na parte superior. Técnica super aprovada para a cera de tipo coco T-02 ou mistura dela com a cera de palma.

Conclusão

Adorei a cera tipo coco T-02 e a mistura dela com a cera de palma ficou perfeita! Estou muito feliz com esse resultado!

Ambas as misturas que eu testei deram bons resultados, tanto com 1/2 de cera de palma, quanto com 1/4 de cera de palma. Apesar de ainda precisar de alguns pequenos ajustes, a vela ficou com aspecto bastante uniforme de uma maneira geral, aderiu completamente ao vidro e o topo praticamente todo liso, dependendo apenas de acertar o ponto de despejar.

No fim a cera de palma foi útil e ajudou muito a melhorar o resultado com a cera tipo coco T-02.

Continuo não sentindo falta de um termômetro, mas ele com certeza seria útil para ajustar o momento de despejar baseado na temperatura, que seria uma medição bem mais precisa.

A balança fez diferença, especialmente para calcular a quantidade de essência, então foi uma ótima aquisição.

Eu cheguei a testar a queima das velas com 1/2 de cera de palma e com 1/4 de cera de palma e a diferença entre as duas foi bem grande. Na vela feita com 1/2 de cera de palma uma pequena parte das laterais não derreteu e a poça de cera derretida não ficou completa no recipiente, formando um anel de cera ainda enrijecida à medida que derretia. Já com 1/4 de cera de palma a poça ficou perfeita e a vela derreteu completamente de maneira uniforme.

Para finalmente começar a produzir minhas velas vou usar a mistura de 3/4 de cera tipo coco T-02 e 1/4 de cera de palma. Mas definir a mistura de ceras não quer dizer que os testes acabaram. Daqui para frente vou testar essências de diferentes aromas e fabricantes, corantes e pavios. Claro que cada teste feito será devidamente documentado e publicado aqui no blog.

Informações Importantes

Nada do que foi usado para a fabricação da vela deve ser reutilizado para outro fim, especialmente culinário.

Muito, muito, muito cuidado com a parafina ou mesmo as ceras vegetais, como cera de soja, palma ou coco. Elas são inflamáveis, então todo cuidado é pouco. Jamais saia de perto quando estiver derretendo, em hipótese alguma!!! Também acho que o melhor é derreter em banho-maria, porque é mais seguro, e caso escorra parafina na leiteira ou panela limpe imediatamente com papel toalha e não coloque próximo ao fogo. Depois que derreter desligue o fogo imediatamente e sempre derreta em fogo baixo.


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